•"I Brought You My Bullets, You Brought Me Your Love" Fan Book•
Capítulo 1 - Romance
Uma doce melodia... Uma voz suave me dizia "Eu te amo" e eu não sabia o que responder. Apenas sorri. Pensei que ela entenderia. Mas não entendeu. Como pode o mundo ser tão cruel? Não tenho culpa se não sou bom ao expressar-me. Não me importava se alguém entenderia, eu queria que ela entendesse. Somente ela. Não entendeu. Ela se foi. Nunca mais voltará mais. Estou sozinho. Desprotegido. Perdido entre lembranças de bons momentos e lágrimas de uma saudade que nunca irá passar. Vale a pena continuar a lutar? Não sei. Sinceramente, não sei. Não tenho certeza sobre o que devo fazer. E a doce melodia continuará tocando em minha mente, lembrando-me dela em todos os dias de minha triste vida... Eu te amei, Melissa... E ainda te amo. Para sempre.
Capítulo 2 - Honey, This Mirror Isn't Big Enough For Two Of Us
- Eu não me sinto bem perto de ti.
- Por que não?
- Não sei. Você é tão feliz... Sinto-me inferior.
- Tu podes ser feliz, querida.
- Não. Já percebeu a quantidade de pílulas que eu sou obrigada a consumir?
- Sim.
- E a depressão me causa recaídas em relação ao álcool. Mas nem sinto... A quantidade de pílulas me faz esquecer o mal estar.
- Já lhe disse que precisas parar com isso.
- Mas não consigo.
- Porque não tentas.
- Eu tento. Sempre. Todos os dias eu tento me convencer a deixar estas drogas imbecis e começar uma vida normal, mas não consi...
- O que te faz pensar que tua vida não é normal?
- O simples fato de que ela realmente não é.
- Quem lhe disse isso? Médicos?
- Sim.
- Idiotas, se quer saber a minha opinião. Viva sua vida. Você está dando muita importância ao que eles dizem de ti. Talvez essa seja a causa de sua depressão. Fazem-na crer que estás deprimida e, assim, deprimida ficas realmente.
- Já pensastes em ser psicólogo?
- Odeio psicologia, para ser sincero. Uso o pouco que eu sei apenas contigo.
- Eu te amo.
Eu simplesmente sorri.
Capítulo 3 - Vampires Will Never Hurt You
Ela não conseguia dormir. Tinha medo. Lembro-me de todas as vezes que Melissa acordara gritando e suando frio. Eu me sentava ao lado dela e tentava acalmá-la. Cantávamos juntos nesses momentos. Uma vez eu estava na varanda do quarto. Sentado no chão, olhando o céu. Contando as estrelas.
- Ryan!
- Mel... Acordou? O que houve?
Ela estava tremendo. Os olhos estavam arregalados. Ela me olhava com medo.
- Eles estão me seguindo. Estão sempre perto de mim! Eles querem que eu morra! Precisam que eu morra! Odeiam-me!
Ela dizia coisas confusas. Não sabia do que ela estava falando. Apenas caminhei até sua cama e sentei-me ao seu lado, encarando-a enquanto ouvia atentamente tudo o que ela dizia. Ela começou a chorar.
- Calma, dear... Não fique assim. Quem te odeia? "Eles" quem?
- Vampiros. Eles querem atirar em minha cabeça. Eu sei que querem. Precisam que eu esteja longe.
- Não precisam, não, Melissa.
Ela deitou a cabeça no meu colo, ainda chorando. Freqüentemente ela acordava com pesadelos. Às vezes, cinco ou seis vezes na mesma noite. Eu afagava-lhe os cabelos, com a intensão de acalmá-la.
- Com o que sonhou, exatamente?
- Eu estava na praia... Contigo. Eles te mataram. E então eu comecei a correr. Eles corriam atrás de mim. Conseguiram chegar em mim. Estavam quase me sufocando... E eu acordei.
Era fácil perceber que ela não inventara o sonho. Suas mãos ainda tremiam muito. E ela evitava ao máximo dizer a palavra "vampiro". Estava visivelmente assustada.
- Vampiros nunca irão te machucar. Eu prometo.
Ela sorriu. Agradeceu-me. Depois de um tempo, voltou a dormir.
Capítulo 4 - Drowing Lessons
Sem nenhuma palavra, nos entendíamos perfeitamente. Melissa nunca mencionava os sonhos durante o dia. Ela dizia que não queria deixar-me preocupado, mas na verdade, ela ainda tinha medo. Quem nos olhava juntos, nunca imaginaria que um dia eu a perderia. Éramos perfeitos daquele modo. Eu gostava de ajudá-la. Não sei quantas vezes cheguei a pensar que nunca mais a veria. Era fácil encontrarem-me ligando para hospitais para poderem interná-la. Melissa tentara suicidar-se várias vezes. Várias vezes por semana.
Uma vez eu a busquei no hospital após ela ter tido alta. Ela havia tentado enforcar-se com uma corda no banheiro. Estava pálida, mas recebi a garantia dos médicos de que ela estava bem. Melissa teve medo de olhar para mim naquele momento. Achou que eu estaria irritado com ela. Não estava.
- Estou apenas triste.
- Por minha culpa, não é?
- Sim, talvez. Tento entender por que eu não te faço feliz. Somos amigos há 17 anos e você continua com as mesmas coisas que fazia aos 5 anos de idade. Lembro-me da primeira vez que se cortou. Eu dormi na sua casa e você teve um pesadelo. Acordei no meio da noite e olhei para o lado. O que eu vi? Minha melhor amiga sentada na cama cortando os pulsos com cinco anos. Nenhuma criança faz isso. Eu esperava que eu pudesse mudar isto.
- Desculpe-me...
- Tudo bem. Não se sinta mal. Por favor. Só tente não deixar sonhos influenciarem sua vida. Vamos fazer algo hoje. Para esquecermos isso tudo. Quer ir ao parque?
- Sim!
Os olhos dela brilhavam. Nos divertimos bastante. Para dois adultos de 22 anos, parecíamos mais duas crianças de sete. No fim, ela sorriu para mim, enquanto saíamos de lá, e disse:
- Amanhã faremos isso de novo!
Capítulo 5 - Our Lady Of Sorrows
Dia 31 de outubro. Festa de Halloween. Melissa vestiu-se normalmente. Todos os dias eram Halloween para ela. Porém ela parecia diferente. Não havia o menor esboço de sorriso em seu rosto, por mais distante que fosse. Seu olhar estava perdido. Fui ao encontro dela.
- Estás bem?
- Sim.
- Tens certeza?
- Sim.
- Poderias responder-me com mais de uma palavra, por favor?
- Cortei-me 37 vezes ontem à noite depois que vi uma sombra andando em meu corredor. Não estou me sentindo bem, desmaiei e acordei há duas horas atrás. Feliz?
- O quê? Melissa! Meu Deus! 37 vezes? Pelo amor de Deus, por que quando vistes a sombra não ligou para mim?
- Eram 3 da manhã.
- Se eu estivesse dormindo, eu não iria reclamar nem um pouco ao ser acordado pelo telefone e ouvir minha amiga dizer que precisava de minha ajuda porque estava com medo. Eu apenas iria correndo para sua casa para tentar acalmá-la. Mas por acaso eu não estava dormindo, porque fiquei preocupado contigo, já que você estava sozinha em casa e não teria ninguém para te ajudar caso alguma coisa acontecesse. E eu estava certo, não é?
Capítulo 6 - Headfirst For Halos
Tudo que eu dizia para ela era: tenha pensamentos felizes. Ela apenas sorria e dizia que era feliz. Eu sabia que não. Ela confiava mesmo em mim? Eu não consigo conseguia começar a contar como estava me sentindo. Talvez ela apenas tentasse me proteger mantendo-me longe de seus problemas.
- Mel.
- Sim.
- Você confia em mim?
- Claro que sim!
- Então por que insistes em mentir dizendo que estás bem?
- Não é mentira.
- É, sim. Você não está bem. Vejo isso claramente em seu rosto. Estás perturbada com algo.
- Não quero te encher com meus problemas.
- Quantas vezes mais terei que dizer-lhe que você nunca irá me encher?
- Por que nunca se irrita comigo?
- Porque tu és minha melhor amiga e a pessoa que eu mais amo no mundo. Irmãos, lembra-se?
- Sim... Sobre eu estar perturbada... É que eu... Não me sinto bem aqui... É como se eu não conhecesse esse lugar. Como se não fosse minha casa.
- Eu te levarei para casa, então.
Capítulo 7 – Skylines And Turnstiles
Eu não conseguia fazê-la aceitar que ela não estava sozinha. Sempre havia um silêncio nos separando. Todo o tempo ela parecia perdida. E eu insistia em perguntar para mim mesmo “Onde estás, anjo?”. Minhas memórias me torturam hoje. Nós assistíamos o pôr-do-sol juntos todos os dias. Depois eu a levava para casa e normalmente ficava lá com ela. Minha casa quase nunca era aberta. Eu morava com Melissa, tecnicamente. Ela estava sempre perdida. Sempre. Chorava enquanto mãos geladas dilaceravam dentro de seu coração. Eu não tinha coragem de dizer-lhe o que eu sentia. Passava noites em claro com medo de perdê-la. Eu nunca a deixaria. Ela poderia morrer, talvez, mas então, eu iria com ela. Esse era o meu pensamento. E ela morreu. Eu não fui com ela.
- E depois de ver o que vimos, nós podemos ainda reivindicar nossa inocência? E se o mundo precisa de algo melhor, vamos dar a eles mais uma razão para acreditar que eu estarei sempre contigo.
- Por que me diz isto?
- Porque esta é a mais pura verdade, a verdade que eu sempre tive medo de dizer.
Olá, anjo, me diga onde você está...
Capítulo 8 - Early Sunsets Over Monroeville
Nos sentávamos debaixo de uma árvore perto do lado na casa dela. Eu a abraçava e ela sorria. Estávamos de mãos dadas.
- Sabes do que me lembrei agora?
- Não.
- Lembrei-me de quando éramos pequenos e corríamos por aqui... Eu te seguia, fugindo e me escondendo com você. Costumávamos nos esconder no alto de uma árvore e tu me contavas sobre seus sonhos. Eu tentava te fazer esquecer isso, mas nunca conseguia.
De repente, o sorriso sumiu do rosto dela.
- Por que se lembrou disso?
- Porque naquela época eu me sentia mal por não saber te ajudar.
- E...?
- Ainda me sinto assim.
- Você sabe me ajudar.
- Não, não sei. Tudo que fiz até hoje foi brigar com metade da minha família para continuar vendo “a suicida da casa ao lado”. Eu lutei contra todos eles apenas para abraçá-la perto e forte.
- E eu deveria estar chocada, agora, com a última coisa que você disse?
Talvez devesse, realmente. Mas alguma coisa importaria, se você já está morta? E ao dizer que você me amou tornou as coisas difíceis ao extremo. E essas palavras não mudam nada enquanto seu corpo remanesce. Eu irei sentir sua falta eternamente, Mel. Sentirei falta dos seus raros sorrisos, falta de sua voz calma, sentirei falta de acalmá-la quando você chora... E se eu tivesse a coragem para colocar isso na sua cabeça, eu diria que também te amei. Seus olhos vagos e manchados... Nunca mais os verei.
Capítulo 9 – This Is The Best Day Ever
E nós podemos correr, deste cenário de ferramentas e bisturis. Cada hora dá um tic-tac dos monitores enquanto eles nos olham fixamente, quando eu estou na sala de emergência. E nas nossas camas, eu podia ouvir sua respiração com ajuda de maquinas frias. Eu nunca dormirei de novo. Nunca mais estarei em paz. Agora me sinto mais inútil do que nunca.
- Ryan, não agüento mais ficar aqui.
- Por que não?
- Monroeville não se parece mais a minha cidade.
- Está mais urbanizada.
- Você me entendeu.
- Sim, entendi.
Eu sorri. E ela também. Um sorriso pequeno, mas foi sem duvidas um sorriso.
- Quer ir embora?
- Sim, mas tenho medo.
- Medo de quê?
- De não ter mais você comigo.
- Não se preocupe. Nós iremos bem longe, tanto quanto pudermos. Eu já não posso ficar, porque você não pode. Um dia nós iremos fugir.
- Verdade?
- Sim.
- Obrigada. Deixou-me feliz.
- Sério? Por quê?
- Este é o melhor dia de todos. O dia em que me disse que iremos fugir.
Sorrimos.
Capítulo 10 – Cubicles
- Ryan, ainda pensas que não confio em ti?
- Na verdade, nunca pensei nisso realmente.
- Mas... E todas as vezes que me perguntou sobre minha confiança em ti?
- Eu queria apenas ter certeza.
- E tens?
- Talvez.
- Talvez?
- Yep. Eu não gosto de me questionar sobre isso.
- Posso te contar uma coisa?
- Claro.
- Eu acho que irei morrer sozinha.
- O quê?
- Acho que você não estará comigo quando eu morrer.
- Por que diz isso?
- É o que eu sinto. E eu acho que eu amaria morrer sozinha.
- Mel... Você está bem? Não está pensando em fazer nada, não é? Por favor, me diga que não. Não quero te perder.
- Não irás me perder. Estarei sempre contigo. Nem que seja em sonhos.
- Você – não – vai – morrer.
- Como podes ter esta certeza?
- Não tenho... Mas, se morrer, eu estarei contigo.
- Não quero que estejas comigo.
- Por quê?
- Não quero vê-lo chorar.
Capítulo 11 – Demolition Lovers
Ela estava certa. Eu não estava com ela. Uma das únicas vezes que precisei ir para casa... Ela morreu sozinha. E estava com um sorriso no rosto. Ela realmente amou morrer sozinha. Ela não queria me ver chorar. Eu não consegui colocar na cabeça dela que por ela eu iria até o fim do mundo e me lembraria do caminho de volta somente para poder vê-la mais uma vez. E então, uma carta:
“Mas dessa vez, eu falo sério. Eu vou dizer exatamente o quanto você significa pra mim. As flores não têm mais cor, a vida não tem mais graça. A chuva parece furar-me com toda força. Quando eu quase caí, você estava comigo. E tudo que eu sabia fazer era chorar. Mas você nunca me abandonou. Eu lhe disse que eu morreria sozinha e que eu amaria fazê-lo. Não se sinta mal por não ter estado comigo para me proteger. Ninguém poderia fazê-lo, nem mesmo você. Isto já estava feito. Eu continuava aqui, mas não havia vida dentro de mim. Mas lembre-se: eu te amo. Eu encontrarei seus olhos quando eu for para o céu. Eu falo sério. Para sempre. Para sempre e sempre saiba o quanto quero mostrar a você que é o único que importa para mim. Você foi o único que não se afastou de mim. Você manteve sua promessa. Vampiros nunca me machucaram. O que me machucou foi a solidão que eu não conseguia afastar de mim, por mais que eu quisesse. Se foi por culpa da infância, ou por culpa dos pesadelos, ou por minha própria culpa, não sei. Mas sua concerteza não foi. Não se esqueça de mim. Não chore. Não quero te ver chorando. E eu posso te ver daqui de cima. Eu te amo, te amo, te amo, te amo. E sei que me amas também, mesmo que não tenha me dito. Irmãos para sempre, se lembra?
Xoxo,
Mel.”
Não irei me esquecer. Mas eu também disse que morreria contigo. E eu vou. Está na hora de nos vermos novamente. Espere-me.